segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Transparência

Acredito que a maioria de vocês leu o artigo do Jornal O Globo publicado no dia 24/08. Pouco depois de apreciarmos o grande espetáculo olímpico que sem dúvida aumentou a nossa auto-estima, tivemos o desprazer de ver que a polícia investiga o uso indevido de recursos nas confederações esportivas, que em última análise deveriam estar beneficiando os atletas, os atores principais daquele espetáculo.

Sempre fui claro em expressar que o uso de recursos públicos deve ser feito com a maior transparência possível e acredito que isso não deva ficar limitado à gestão dos recursos financeiros, mas deve se expandir em várias ações que atingem os administrados.

No caso das Confederações esportivas, parte dos recursos vem dos filiados e, nos últimos tempos, os gordos tempos pré-olimpicos, também vêm (em maior monta) de empresas públicas, sociedades de economia mista, do Ministério do Esporte e empresas privadas. 

Ser transparente passa a ser fundamental, visto que a maior parte dos recursos vêm do povo brasileiro, e permite que os filiados, os maiores interessados na gestão dos recursos e para quem uma confederação deveria estar trabalhando, possam discutir e propor melhores formas de se destinar os recursos dentro das regras de funcionamento da confederação.

A falta de transparência alimenta a sensação de que perdemos tempo, de que passou o momento propício para nos tornarmos uma potência esportiva. Ora, se soubéssemos onde e quanto dos recursos foram aplicados e em quê, poderíamos discutir sobre melhores formas de se fazer isso. Sem conhecimento da dimensão dos valores, sempre haverá a sensação de que foi muito dinheiro investido e não chegamos onde poderíamos ter chegado.

É a sensação que eu tinha toda vez que chegava para uma seletiva no campo de Maricá. Passei momentos inesquecíveis em Maricá, gosto muito de todos aqueles que lá conheci e apoio 100% o fato de termos um centro de treinamento lá, mas nós que fomos os pioneiros a usar aquelas instalações, tivemos que conviver com algumas situações complicadas. 

Como engenheiro, era difícil entender algumas das soluções adotadas e se soubéssemos o volume de recursos aplicados poderíamos ter parâmetros para entender aquelas soluções, entretanto, até hoje não se sabe o quanto foi investido no nosso Centro de Treinamento.

Nesse sentido, vai mais uma vez o meu apelo a todos os atletas, dirigentes e árbitros, precisamos mudar os rumos, nosso futuro deve permitir que possamos VER o que está acontecendo, para que possamos caminhar JUNTOS rumo ao OURO!

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Avaliação e Futuro

Vivemos o sonho de sediar uma Olimpíada no Brasil. Aquilo que sempre olhávamos de longe, admirando os grandes, pudemos presenciar em nossa casa.

Achei fantástico poder observar as fotos e compartilhamentos dos muitos amigos que se envolveram diretamente com esse espetáculo, árbitros, voluntários e atletas; vi em cada um deles a alegria de estar vivendo um sonho.

Acredito que os atletas brasileiros tem se comportado de forma incrível e aos poucos estamos compreendendo que teremos o nosso lugar entre as maiores nações esportivas do mundo. 

No Tiro com Arco evoluímos. Tivemos resultados que não haviam sido alcançados antes. A Ane Marcelle e o Bernardo avançaram, isso foi fantástico! Podemos ganhar e vamos ganhar! Parabéns a todos os membros da equipe: Sarah, Ane Marcele, Marina, Marcus, Daniel e Bernardo.

Nosso material humano é muito bom e quanto mais atletas houver na linha de tiro, mais chances teremos de ganhar novamente, mas eu não posso deixar de analisar que o modelo escolhido para chegar ao Ouro olímpico em 2016 foi equivocado. 

O esporte se trata de inclusão, de crescimento e formação de massa crítica. A Confederação, em 2011, criou um modelo de exclusão, sem regras e objetivos claros, o que deixou os atletas confusos, inseguros e pouco alinhados com o objetivo de ser CAMPEÃO OLÍMPICO. Sei disso por que estivemos muito perto de levar uma equipe completa já em Londres e não levamos por que criamos divisões quando deveríamos somar.

Como atleta, sei que, se tivermos uma meta clara, vamos buscá-la a qualquer custo. Não é possível cumprir uma missão se ela muda a cada instante, é necessário sentar com todos aqueles envolvidos com o arco e definir objetivos coletivos e individuais. 

Não só os atletas da seleção, mas cada atleta, cada técnico, cada árbitro, cada dirigente. Quantos arqueiros não querem melhorar suas pontuações? Quantos técnicos não querem aprender mais? Quantos árbitros não querem arbitrar grandes competições?

Precisamos tratar cada indivíduo da maneira especial que ele merece ser tratado. Precisamos trazer todos para trabalhar juntos. Cada apaixonado pelo arco deveria ser importante para a Confederação, todos podem e devem contribuir, há sinergia no trabalho em equipe e eu acho que nós não trabalhamos juntos para conquistar este ouro. 

Queria que neste ano os presidentes das Federações pensassem nisso. Vamos começar um novo ciclo olímpico. Quais são nossos objetivos? Onde queremos chegar? Vamos aproveitar o aprendizado da Olimpíada ou vamos continuar seguindo na linha da pouca transparência, do pouco contato com o atleta e com a exclusão de quem pensa diferente?

Brasil, vamos subir no lugar mais alto do pódio!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Clickers Archery

Gostaria de agradecer ao Graham da Clickers Archery pelo reconhecimento e apoio ao trabalho que venho desenvolvendo no arco e flecha. Agora faço parte da equipe:



A Clickers Archery é uma das mais conceituadas lojas de equipamentos no Reino Unido e fica na cidade de Norwich.


I would like to thank Graham from Clickers Archery for recognizing and supporting the work I am developing in archery at the University of Southampton Team. I am now a member of the team Clickers



Clickers Archery is one of the best archery shops in the UK and it is based on Norwich.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Back 2 Back - Uma Grande Experiência

A vida de um atleta é marcada pela constante preparação, estar pronto para responder a altura quando necessário. Nos últimos meses vinha me preparando com bastante dedicação para o Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco, que aliás foi uma grande experiência (mas deve ser assunto para outro post). Terminada a Temporada Outdoor, começa a temporada Indoor.

Normalmente as competições outdoor na Europa vão no máximo até meados de setembro, quando já começa a ficar meio frio e a escurecer muito cedo. Entretanto o calendário Indoor europeu é recheado de excelentes provas onde a elite do tiro com arco se encontra.

No último fim de semana, pude participar de um torneio promovido pela Federação de Tiro com Arco do Reino Unido, chamado Back 2 Back, e ocorre na mesma semana o Campeonato Nacional Indoor,  grandes nomes apareceram por lá: Simon Terry, Naomi Folkhard, Alan Wills, além de atletas da seleção Britânica paralímpica. 


O B2B é uma competição com o número de inscrições limitada a 24, com um preço meio salgado 35 libras, mais um motivo para se atirar com vontade de ganhar. Quatro grupos de 6 atletas realizam combates tipo robin-round (cada atleta enfrenta todos os outros atletas do mesmo grupo atirando 12 flechas e ganhando 2 pontos por vitória e 1 ponto por empate). Os três melhores qualificados de cada grupo avançam para a fase seguinte, que ocorre no mesmo formato. Sobrando quatro semi-finalistas que disputarão rounds eliminatórios no sistema de sets.

É um formato bastante interessante, pois permite que mesmo o atleta que seja eliminado na primeira fase atire pelo menos 5 combates (60 flechas, o equivalente a um round de 18 metros) o que faz valer o ingresso, além de valorizar os atletas que conseguem manter a sua regularidade na pontuação, pois mesmo os melhores atletas algumas vezes cometem erros.

A aventura do fim de semana começou na sexta-feira, quando atirei uma competição na cidade de Southampton, na verdade foi mais uma brincadeira entre os clubes locais, pois foi uma disputa de 36 flechas a 30m outdoor e à noite. Estava fazendo -2 graus! O bom é que no final nos serviram um belo churrasco. Eu consegui fazer uma boa pontuação, o que meu deixou bastante confiante para a competição do dia seguinte.

Saí de Southampton as 5 da manhã para poder pegar o trem para Coventry, onde ocorreu a competição. Foi um fim de semana gelado com as temperaturas constantemente abaixo de zero. Carregado e congelando fui para a Ricoh Arena, um incrível estádio de futebol, mas que além do estádio tem uma série de outros serviços e eventos, como: hotel, cassino e shows. Atiramos no Jaguar Hall, um espaço patrocinado pela fabricante de carros Jaguar: um grande salão onde havia 64 alvos e vários stands das lojas de arco locais, como a Wales Archery, Clickers Archery e Merlin Archery. Qualquer arqueiro fica louco em um ambiente desses. O Chris Wells, membro do grupo que organizou o tiro com arco nos Jogos de Londres tem umas fotos bem legais da competição.

A primeira fase passou sem muitos problemas, felizmente venci todos os confrontos e avancei para a fase seguinte. O combate mais difícil que fiz foi o primeiro contra Mark Nesbitt, uma das promessas para os Jogos Olímpicos de 2016, ele participou dos Jogos Olímpicos da Juventude em Singapura. 

Na segunda fase, o mais difícil também foi o primeiro, Alan Wills. Comecei muito forte com 30 pontos e liderando por uma pequena margem, foi um combate bem bonito, uma bela prévia da final, mas acabei perdendo por 119 a 116, ainda assim fiquei muito contente com o bom nível do combate. Ao longo do dia fiquei beirando os 120 pontos, mas no último combate da segunda fase consegui fazer o combate perfeito 120 pontos!

O último combate da segunda fase me deu uma grande energia e venci a semi-final por 7 a 1 me classificando para o duelo final contra o arqueiro Alan Wills. É difícil descrever esse momento, tudo se passa numa escala de tempo muito estranha, cada flecha parece durar uma eternidade, mas o combate todo se passa muito rápido. É mais fácil ver o que aconteceu. Foi uma alegria muito grande vencer fora de casa e com a camisa do Brasil. Foi um combate de alto nível, Alan é um grande atleta com o mais alto espírito desportivo. A Federação Britânica está de parabéns pelo evento.





terça-feira, 11 de setembro de 2012

Videodocumentários sobre esporte


Recebi o comunicado abaixo e, a cada dia que passa, acredito que precisamos imortalizar num livro ou num documentário a trajetória do atleta Renato Emílio, representante brasileiro em quatro olimpíadas, seu pai foi um dos fundadores do tiro com arco esportivo no Brasil (como um Charles Miller do tiro com arco) e seu filho é o meu amigo e adversário Fabio Emílio, arqueiro que representou o Brasil em tantas ocasiões, como Jogos Panamericanos e Mundiais.

Petrobras distribui R$ 2 milhões para produção de videodocumentários 
Inscrições para escolha dos projetos terminam no dia 24 de setembro

São Paulo, agosto de 2012 – Encerram no dia 24 de setembro as inscrições para o edital 2012 do Memória do Esporte Olímpico Brasileiro. O projeto vai distribuir mais de R$ 2 milhões para a produção de nove videodocumentários, com duração de 26 minutos cada um, sobre a história do Brasil e de seus atletas nas Olimpíadas. A seleção dos roteiros é feita por meio de concorrência pública. Qualquer produtora de vídeo do Brasil cadastrada na Ancine pode se inscrever pelo site www.memoriadoesporte.org.br. Cada um dos selecionados receberá R$ 230 mil para a produção dos filmes.

Com patrocínio da Petrobras, o Memória do Esporte Olímpico Brasileiro foi idealizado pelo Instituto de Políticas Relacionais (IPR) e tem o objetivo de criar um acervo audiovisual para resgatar a história dos grandes atletas que representaram o Brasil nos Jogos. O projeto já tem sua realização garantida, pelo menos, até as Olimpíadas de 2016, que serão realizadas no Rio de Janeiro. A concorrência contará com duas etapas de seleção. Na primeira, serão analisadas as propostas conforme sua relevância e aderência ao edital. Na segunda fase, os classificados concorrerão entre si em um pitching (defesa oral), feito para uma banca de profissionais que definirá os nove vencedores.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Jogos Paralímpicos II - Rússia Faz 1, 2, 3 e ganha por equipes

As disputas de tiro com arco nas Paralimpíadas de Londres foram muito interessantes, mostrando o bom nível técnico dos atletas paralímpicos. Vou comentar a categoria Standig-Recurvo, que pela proximidade com o Luciano Reinaldo, atleta do meu clube, é a categoria que mais conheço.

O Luciano, campeão brasileiro da categoria, já vinha me falando dos russos há um tempão, a equipe deles tem um apoio muito especial, com um bom salário, alojamento para os atletas e para as famílias, sem falar das merecidas férias depois das 4 medalhas conquistadas pelos três atletas da equipe masculina.

Apesar de terem feito um round qualificatório razoável, provavelmente atrapalhados pela chuva e vento,  ficaram com a 2º, 5º e 9º colocações com boas pontuações, mas nada espetaculares. Nos combates aproveitaram o chaveamento favorável, que não tinha nenhum cruzamento entre russoas antes da semi-final  e acabaram levando para casa: ouro, prata e bronze.


Não contentes, levaram também o ouro por equipes, batendo as equipes da Turquia por 212 a 199, da China por 214 a 207 (excelente pontuação) e Coreia do Sul na final por 206 a 200. Parabéns aos russos, que eles sejam o benchmark para os paraatletas brasileiros e para a Confederação Brasileira focar no ouro de 2016.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Jogos Paralímpicos

Hoje na página inicial do site oficial dos Jogos Paralímpicos de Londres aparece uma bela foto, que reproduzo abaixo, de 1948, com cinco atletas atirando com arcos.


O artigo conta a origem dos Jogos paralímpicos:

"Em 1944, o neurologista alemão Dr. Ludwig Guttman abriu um centro para traumas da coluna no Hospital de Stoke Mendeville na Inglaterra. O Dr. Guttman transformou o tratamento dos veteranos da Segunda Guerra Mundial ao introduzir esportes em seus programas de rehabilitação. (...)"

e prossegue:

"Na abertura dos Jogos olímpicos de Londres em 1948, o Dr. Guttman realizou a primeira competição de Tiro com Arco para atletas em cadeiras de roda e este foi o início dos Jogos de Stoke Mandeville, que passaram a ser realizados anualmente. Em 1952 houve a participação de atletas da Holanda o que deu aos Jogos de Mandeville o status internacional. Os primeiros Jogos Paralímpicos ocorrerram em 1960 na cidade de Roma."

É importante relembrar os atletas Brasileiros já deram show em Stoke Mandeville: Francisco das Chagas Dantas, que ganhou uma medalha de prata individual em 2011, a equipe de Composto do Brasil (Andrey, Julio e Fernando) também conquistou a prata em 2011 e o Luciano Rezende, que numa segunda edição do torneio no segundo semestre de 2011, para disputas das vagas paralímpicas remanescentes, ganhou uma medalha de prata.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Competindo rumo a excelência

No fim de semana do dia 5 e 6 de maio de 2012 foi realizada em Maricá, no estado do Rio de Janeiro, a seletiva para a Etapa da Copa do Mundo de Tiro com Arco em Ogden (EUA), que servirá também como pré-olímpico em que o Brasil pode conseguir a vaga por equipe para os Jogos Olímpicos de Londres.

A seletiva foi comentada pelo Marcelo Roriz no seu blog, onde ele expressa o desejo de todos nós de termos uma equipe completa disputando os Jogos de Londres, que será uma importante experiência para os atletas que participarão, uma vez que em 2016 já temos a equipe classificada automaticamente.

Os resultados são apresentados abaixo:


SELETIVA PARA OGDEN- ARCO RECURVO - 2012 - (05  06 Mai/2012)
Nome 70 70 sub-total 70 70 sub-total 70 70 sub-total 70 70 sub-total Total
Luiz Trainini  328 328 656 331 336 667 318 324 642 319 329 648 2613
Bernardo Oliveira 317 332 649 335 328 663 323 328 651 314 321 635 2598
Daniel Xavier  325 332 657 310 322 632 323 323 646 314 319 633 2568
Luis Pauliny 315 325 640 321 329 650 332 313 645 306 312 618 2553
Fábio Emilio  323 323 646 322 315 637 319 311 630 319 317 636 2549
Marcos Antônio Bortolotto  321 312 633 306 318 624 333 319 652 314 317 631 2540
Edson Kim (juvenil) 326 315 641 310 313 623 325 318 643 316 300 616 2523
Roberval dos Santos 303 323 626 307 305 612 313 303 616 301 307 608 2462
Fabio Passeto 314 310 624 297 316 613 312 290 602 296 305 601 2440


Acredito que com relação à prova deve-se tecer alguns comentários:
  1. A seletiva foi aberta apenas aos atletas que haviam conseguido alcançar o índice de 1220 pontos no Round Fita nos seis meses que antecederam a prova. Isso foi muito importante para restringir a disputa apenas aos atletas que estavam realmente preparados para uma prova longa como foi a seletiva. Pode-se dizer que, de fato, os nove melhores atletas do Brasil estavam presentes à prova. Além disso, o número menor de participantes abreviou os tempos para contagem de pontos e retirada das flechas do alvo. 
  2. Os resultados obtidos pelos atletas foi muito bom com cinco dos nove atletas tendo feito pelo menos uma vez acima de 330 pontos, que coloca a equipe brasileira com chances reais de obter a vaga por equipes. Dentre as equipes que disputarão vagas de equipe em Ogden, a Índia teve uma média de 335,3 pontos; a Espanha teve uma média de 333 pontos; Taipei 331,5 pontos; Holanda 330 pontos (cálculos feitos sobre os resultados obtidos pelas equipes na etapa da Turquia). Como pode se ver podemos realmente brigar pela vaga por equipes.
  3. Os resultados foram ainda melhores, levando-se em consideração as condições climáticas enfrentadas na seletiva, onde ventos com intensidade moderada e forte sopraram ao longo de todo o dia.
Agora, ficamos na torcida para a equipe manter o alto nível e conquistar a vaga por equipes em Ogden.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Campeonato Brasileiro de Base II

Infelizmente não tive a oportunidade de estar presente, mas o Campeonato Brasileiro de Base, que ocorreu em Maricá, de 28 a 30 de julho de 2011, teve resultados muito interessantes e aumenta as expectativas com relação ao Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco, que ocorrerá de 12 a 17 de novembro de 2011, em Águas de Lindóia, no Estado de São Paulo.

Começando pela Categoria Infantil Masculino, destaca-se o bom desempenho do atleta João Pedro Vaccari de São Paulo, que com 1345 pontos assegurou, com folga, a medalha de ouro no Campeonato Brasileiro (ranqueamento) e na Copa do Brasil (eliminatório). Para fins de comparação, já atirei um Round FITA nas distâncias do infantil (40, 30, 20 e 15 metros) e fiz 1408 pontos. Outro ponto de destaque é que João Pedro atirou na categoria de base com mais inscritos da competição. Para se ter uma ideia, o número de inscritos foi maior do que o número de atletas na categoria Composto Feminino no Campeonato Brasileiro Principal, nas duas últimas edições. Na categoria Infantil Feminino, Ana Clara Dias Machado também venceu com tranquilidade o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil.

Na Categoria Cadete Masculino, Edson Kim, de São Paulo, um dos membros do Master Plan da CBTARCO, confirmou o seu favoritismo e também ganhou os dois ouros em disputa de sua faixa etária, com 1261 pontos. Na categoria Cadete Feminino, Ane Marcelle, do CT Maricá, também venceu a disputa.

A Categoria Juvenil Masculino apresentou grandes decepções, apesar de terem ficado respectivamente em primeiro lugar e segundo lugar, Bernardo Oliveira e Klaus von Berh, teveram um desempenho abaixo do esperado. A maior decepção, sem dúvida, foi a baixíssima pontuação de Eduardo Baltazar (852 pontos), o "atleta-revelação", Membro do Master Plan da CBTARCO, passou aproximadamente um ano treinando na Coréia do Sul e representou o Brasil no último Campeonato Mundial Adulto, vinha de duas quebras de recorde Brasileiro Juvenil na distância de 70 metros, mas atualmente vem enfrentando dificuldades com sua técnica de tiro. Torcemos muito para vê-lo logo reabilitado e brigando pelas primeiras posições.

A Categoria Feminino Juvenil foi a categoria mais disputada, com as 4 primeiras colocadas atirando pontuações próximas e revezando-se na liderança. Melhor para a dupla Monique e Camila, do CT de Maricá, que levou o ouro e a prata no Brasileiro, com a Manoella Castelhano completando o pódium. Felizmente Isabela, que ficou em 4º também pode levar sua medalha na Copa do Brasil, fazendo justiça à bela disputa no round de classificação.

O Título Brasileiro Master Composto foi para Ronaldo Nacaxe e o Título do Master Recurvo foi para o maior campeão brasileiro de todos os tempos: Renato Emílio, que conquistou mais um título para sua extensa lista de conquistas. Sua pontuação deixaria muitos garotos sofrendo para acompanhá-lo, 1257 pontos. Sei disso pois já atirei no mesmo alvo que ele e posso dizer que ele é um mestre do jogo mental. As distâncias da disputa Master são as mesmas da categoria Cadete e ele ficou a 3 pontos da pontuação do cadete Edson Kim, que está no programa de excelência da CBTARCO, Kim ficou em 7º lugar na seletiva para os Jogos Panamericanos. Quem poderá dizer qual seria a história da Seletiva para os Panamericanos se o Renato tivesse participado.

A disputa de base vem aumentando a cada ano e nos faz torcer para que chegue logo a disputa do Brasileiro Adulto, quando poderemos ver todos esses atletas juntos, no campeonato que deverá ser o melhor Campeonato Brasileiro dos últimos tempos. Vários fatores apontam para esse sucesso:
- Localização: São Paulo é de fácil acesso para a maioria das federações brasileiras, além disso, a Federação Paulista é a que tem mais atletas inscritos devendo ser o campeonato com o maior número de inscritos de todos os tempos.
- Qualidade: Este ano, no recurvo masculino, 16 atletas diferentes já fizeram mais de 1200 pontos, além dos 1300 pontos de Sarah e Daniel. Isso sem mencionar o Marcelo Roriz, 24º colocado no ranking mundial Composto;
- Possibilidade de Profissionalização: Os atletas que ficaram de fora do Master Plan tem uma chance de grande visibilidade para mostrarem um bom resultado e ocuparem as duas vagas restantes para o ano de 2012.

Bons treinos e nos vemos em Águas de Lindóia!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Resultado do Campeonato Brasileiro de Base

Na última semana (28-30 julho de 2011), Maricá recebeu o 4º Campeonato Brasileiro de Categorias de Base.

Os resultados encontram-se publicados neste link.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Campeonato Mundial Para-Olímpico

A equipe brasileira se despediu do Campeonato Mundial Para-olímpico de Tiro com Arco, realizado em Turim entre 10 e 17 de julho de 2011, com um resultado que pareceu muito inferior à real capacidade de nossos atletas. Semanas depois de brilhar no competitivo torneio de Stoke Mandeville, na Inglaterra, onde os brasileiros conquistaram duas medalhas de prata, derrotando equipes tradicionais como a Itália (arco composto) e a Ucrânia (arco recurvo), ficou aquela sensação de que a equipe do Brasil podería ter ido mais longe.

É claro que cada um dos atletas se dedicou ao máximo de suas capacidades e a reflexão do parágrafo anterior não é uma crítica à eles, muito pelo contrário, observa-se uma crescente evolução na qualidade dos atletas para-olímpicos brasileiros do tiro com arco, além do aumento considerável de para-olímpicos disputando competições no Brasil. O grande problema é que os resultados do Campeonato Mundial se apresentam como um ponto de inflexão negativo na curva de evolução destes atletas, em um momento  que deveriam ter o melhor resultado do ano.

Em Stoke Mandeville, semanas antes, a equipe de arco composto ganhou a medalha de prata, derrotando a equipe da Ucrânia nas quartas-de-final, a equipe da Itália na semi-final e perdendo para a Grã-Bretanha na final.

Equipe de arco composto masculino do Brasil, recebendo a medalha de prata em Stoke Mandeville

No Campeonato Mundial, por coincidência, o Brasil  novamente enfrentou a Itália em seu primeiro combate eliminatório, só que desta vez sem o mesmo sucesso da competição anterior. A outra coincidência deste mundial com o torneio de Stoke foi que a Grã-Bretanha também sagrou-se campeã,  mostrando o alto nível e a importância do resultado da competição disputada pelo Brasil nas semanas que antecederam o mundial.

No caso do arco recurvo,  em Stoke, o Brasil derrotou a forte equipe da Ucrânia nas quartas-de-final,  Além disso, deve-se destacar o desempenho individual do Francisco Dantas, que ganhou três combates e conquistou uma medalha de prata individual.

Francisco Dantas (recurvo masculino) recebendo a medalha de prata em Stoke Mandeville

No Campeonato Mundial, a Equipe da Ucrânia de arco recurvo carimbou seu passaporte para os Jogos Paraolímpicos se classificando em terceiro lugar e o Brasil ficou num modesto 14º lugar. Olhando o desempenho dos atletas brasileiros nos combates individuais do arco recurvo, tanto o Ricardo Macedo quanto o Francisco Dantas perderam seus combates iniciais por 6-4, ou seja, por muito pouco não passaram para a próxima fase eliminatória. 

Esses resultados põem em evidência um descompasso entre os objetivos da direção da Confederação Brasileira e os objetivos dos atletas, uma vez que a atitude de se trocar o técnico da equipe ocorreu em um momento pouco oportuno,  dias antes de um Campeonato Mundial no qual iam se disputar vagas para os Jogos Paraolímpicos, cuja participação é o sonho de qualquer atleta. Vamos torcer para que a equipe Brasileira possa se recompor e tenha sucesso nas próximas competições, lembrando que ainda há vagas para os Jogos de Londres.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Bons Tiros em Maricá

No último fim de semana, ocorreu a seletiva para os Jogos Panamericanos de Guadalajara, na cidade de Maricá, estado do Rio de Janeiro, e mais uma vez tivemos um atleta brasileiro ultrapassando a barreira dos 1300 pontos. Esta foi a vez de Sarah de Oliveira Nikitin, atualmente atirando pelo Palmeiras, campeã brasileira de 2009 e vice-campeã em 2007, 2008 e 2010, que fez a marca de 1305 pontos, se tornando também a recordista brasileira do Round FITA.  A atleta, que também é aluna do curso de letras da Universidade de São Paulo, sempre  impressionou pela tranquilidade, simpatia e bom humor. 

O nosso colega de tiro, Carlos Frascari, que além de árbitro eventualmente reforça a equipe do Vasco da Gama, capturou o momento em que Fátima Rocha (à esquerda) na condição de ex-recordista, abraça a Sarah (à direita), a atual recordista, num bonito gesto.

Sarah foi uma das escolhidas para participar do Master Plan, programa que paga salário, hospedagem, equipamento, treinamento e alimentação para um grupo de atletas brasileiros, visando os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

Tendo em vista os resultados recentes, decidi fazer uma pequena homenagem aos atletas brasileiros, criei o Clube dos 1300, onde pretendo adicionar as informações sobre a primeira vez que o atleta atingiu a barreira dos 1300. Além disso espero que isso possa se tornar um incentivo para que outros tentem entrar para o Clube. Vamos lá pessoal, quanto maior for o clube, maior será o nosso esporte!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Resultados da Seletiva para os Jogos Panamericanos


Este fim de semana ocorreu a seletiva para os Jogos Panamerticanos, disputado no formato de dois rounds FITA em dois dias seguidos, seguem os resultados na tabela abaixo:


 SELETIVA DO DIA 16/07 e 17/07 - Jogos Panamericanos México
Atleta Total  Total  Total Geral
Sarah de Oliveira Nikitin   1.305  1.300  2.605
Michelle Milan Terada Acquesta   1.238  1.256  2.494
Fatima Rocha  1.135  1.213  2.348
Thais Camargo  1.127  1.161  2.288
Petra Sances Ruocco  1.090  1.188  2.278
Monique Evellin (juvenil)  1.122  1.119  2.241
Aline Martins Latgé Kwamme   1.121  1.103  2.224
Ane Marcelle (juvenil)  1.053  1.157  2.210
Camila Mesquita  (juvenil)  1.074  1.136  2.210
Camila Yuri Hasegawa   155   -    155
 SELETIVA DO DIA 16/07 e 17/07 - Jogos Panamericanos México
Atleta TOTAL TOTAL Total Geral
Daniel Rezende Xavier   1.294  1.288  2.582
Luiz Gustavo Trainini da Silva   1.270  1.263  2.533
Fábio Emilio   1.241  1.260  2.501
Fabio Passeto  1.240  1.251  2.491
Leonardo Carvalho  1.244  1.242  2.486
Bernardo de Souza  1.247  1.226  2.473
Edson Kim (juvenil)  1.211  1.254  2.465
Roberval dos Santos  1.219  1.244  2.463
Marcos Antônio Bortolotto   1.187  1.237  2.424
Klaus Ramalho  1.210  1.185  2.395
Alexandre Vecchio Passerini  1.080  1.123  2.203
Alfredo Sena  997  922  1.919
Nelson Fernandes  1.163  -  1.163
Luca Cotinho  398  397  795
Igor Emanuel  700  -  700
Eduardo Baltazar (juvenil)  345   -    345

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Vários Assuntos

Mudança... as postagens do Blog ficaram comprometidas, além de todas as coisas que costumam faltar perdidas em inúmeras caixas, ainda não consegui reestabelecer o sinal de internet no novo endereço.

Nos últimos dias, uma série de coisas interessantes aconteceu, a primeira delas foi o fantástico desempenho do nosso querido Daniel Rezende Xavier, como bom mineiro, foi ao Campeonato Mundial e estabeleceu a marcante pontuação de 1309 pontos, ranqueando-se entre os 45 primeiros do mundo. Como se não bastasse, em um combate emocionante com o atual campeão olímpico, quase o derrotou para ficar entre os 16 melhores do mundo, terminou em 33º, muito bom! Como brasileiro, sinto-me orgulhoso de já ter atirado com ele.

Outro evento importantíssimo foi a conquista do Campeonato Mundial pela chilena Denisse Van Lamoen, depois da Colombiana Natalia Sanches ter obtido a medalha de bronze em 2009, Denisse é a segunda sulamericana a conquistar um resultado muito expressivo no cenário mundial.

Além disso, está ocorrendo o campeonato mundial Para-Olímpico e as expectativas são grandes de que nossos atletas obtenham as vagas olímpicas. A equipe de composto se classificou em 15 lugar, com bons desempenhos de Andrey, Julio e Fernando. A equipe de recurvo teve um desempenho abaixo da media que vinha atirando, mas temos muitas esperanças nos combates individuais, pois o Francisco já mostrou no último mundial e no campeonato de Stoke que é bom em combates, terminando em 10º lugar no mundial e em 2º lugar no torneio de Stoke.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Entrevista com Jorge Jiménez do jornal La prensa Grafica - Um exemplo

A entrevista a seguir foi publicada pelo periódico La prensa Grafica de El Salvador, logo após a conquista do segundo lugar na etapa da Copa do Mundo de Tiro com Arco na Croácia pelo atleta Jorge Jiménez. 

Jorge, dono de um currículum invejável e atual ocupante do segundo lugar do ranking mundial, teve de pedir um empréstimo para arcar com as despesas de sua participação na etapa, e mostra sua dedicação a um esporte que por vezes não traz reconhecimento nem retorno financeiro.

"Jorge Jimenez é um atleta dedicado ao tiro com arco, esporte a que se dedica em tempo integral, sem se preocupar com uma lista de problemas que tem de enfrentar para competir nas etapas da Copa do Mundo e em outros eventos internacionais. Para sua estréia no circuito mundial de 2011, ele que desde ontem ocupa o segundo lugar do mundo, teve de pedir dinheiro emprestado, para não ficar de fora da primeira etapa em Porec, na Croácia

Que expectativas você tem para a segunda etapa em Antalya (Turquia)?
Estou motivado por ter iniciado com uma medalha e 21 pontos em Porec, e com esperanças de ter minha revanche com Roger Willet, que ganhou de mim na final. O objetivo é fazer um bom trabalho e assegurar a metade do caminho em direção a final de 2011.

Você está classificado em segundo lugar no ranking mundial da FITA. Como se sente estando em um lugar tão privilegiado?
Sinceramente é um grande orgulho e satisfação por El Salvador, por toda a alegria que traz aos salvadorenhos. Me parte o coração quando estou no pódio e vejo outra bandeira mais alta que a de El Salvador. Exige muito trabalho e esforço.

Com um monte de obstáculos internos que você tem de superar para praticar o seu esporte, como você faz para se aproximar dos Top 10?
Tudo é produto de um conjunto de elementos: o trabalho do atleta, dos dirigentes, o apoio institucional do INDES (Instituto Nacional do Desporto de El Salvador) , COES (Comitê Olímpico de El Salvador) e de empresas privadas. É um trabalho de anos e não foi facil ter chegado até aqui. Seria um pena perder isto. Digo isso por mim e meus companheiros, que merecemos o crédito de estar entre os melhores do mundo. Agradecemos ao INDES e ao COES pelo apoio e pelo chamado às empresas privadas para olharem para o esporte local.

O que você pode dizer sobre a equpe salvadorenha que caiu do 2º para o 6º lugar no ranking mundial por não ter competido em Porec?
Como salvadorenho e arqueiro, espero que seja dada a oportunidade para que Rigoberto Hernández viaje conosco junto ao Roberto Hernández para a Turquia para recuperarmos o terreno e voltarmos à segunda posição da FITA.

Com relação aos resultados internacionais, o tiro com arco composto é o esporte salvadorenho de maior sucesso?
Pessoalmente, não gosto de dizer isto, diria que, no que se refere a resultados, estamos entre os primeiros, entre os melhores. Mas além dos resultados, o importante é destacar o trabalho de todos os membros do esporte e os triunfos obtidos para o país.

Se você tivesse todas as facilidades para se dedicar ao seu esporte, como a maioria dos seus adversários, tudo seria mais fácil?
Claro que sim, tudo seria muito mais fácial e diferente. Dedicaria 100% das minhas energias e me focaria mais na preparação. É verdade que a maioria dos arqueiros que atiram nas Copas do Mundo tem tudo de mão beijada, assim deveria acontecer conosco, mas o que vamos fazer? Não vou ficar chorando e nem ficar deprimido.

Com a sua experiência e dono de tantos sucessos, o que você diz da atitude ou da mentalidade do atleta salvadorenho?
Ele tem a autoestima muito baixa. De início acham que não podem chegar muito longe e dessa forma nunca chegarão. Os jovens tem de trabalhar, tem de ter fé."

terça-feira, 21 de junho de 2011

Henrique Meirelles é nomeado para a APO

Foi publicada na última sexta-feira a nomeação do ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, como representante da União no conselho Público da Autoridade Pública Olímpica.

Segue a nota na qual Meirelles se mostra entusiasmado com o desafio:


"É com grande entusiasmo que recebo o desafio de presidir o Conselho Público Olímpico, o órgão máximo da Autoridade Pública Olímpica. Como representante da União, presidirei o Conselho, responsável pela coordenação das ações das três esferas governamentais (federal, estadual e municipal) envolvidas na realização dos Jogos Olímpicos de 2016. Serão membros do Conselho, além do seu Presidente, o Governador do Estado e o Prefeito do Rio de Janeiro.
Dentro do sistema de gestão das Olimpíadas, que ajudei a elaborar, a presidência do Conselho é o posto mais adequado para que eu possa dar a máxima contribuição para o sucesso das Olimpíadas de 2016. Agradeço à presidenta Dilma Rousseff por me indicar para um posto tão relevante nesse projeto transformador para o Rio de Janeiro e para o Brasil."

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A palavra dos atletas

Andrey Muniz, membro da Seleção Brasileira Para-Olímpica de tiro com arco:
"Isso é resultado de um trabalho contínuo que vem sendo feito há 3 anos. O para-olimpico cresceu muito no pais nesse período. Também está sendo muito bem visto no exterior pelo nosso progresso e resultados. Devemos tudo isso ao nosso grande, técnico e amigo Christian Haensell. Temos a certeza que se não fosse por ele não estaríamos onde estamos. Ele abraçou essa causa, lutou e brigou por nós (...) não teríamos feito escolha melhor ao indicar o nome dele quando nos foi consultado. 
Estamos todos indignados com sua demissão, que foi feita à nossa revelia, às vésperas de um mundial tão importante para nós quanto para o país, onde iremos lutar por vagas para representar o país nas paraolimpiadas de 2012 visando uma experiência para 2016.
(...)
Essas medalhas conquistadas na Inglaterra nós dedicamos a você Christian. Obrigado por tudo que você fez para e por nós!!!
Vamos dar continuidade em tudo o que você nos ensinou e vamos correr atraz dessas vagas para 2012 por você e pelo pais!!!"

Julio Oliveira, membro da Seleção Brasileira Para-Olímpica de tiro com arco:
"Esse é o resultado de um trabalho em equipe, colaborativo e comprometido que liderado pela dedicação e competência do Christian que além de conhecer profundamente o tiro com arco, conhece cada um de seus atletas e sabe as nossas forças e fraquezas. Eu como atleta só tenho a agradecer pelos conhecimentos aprendidos pelo Coach Haensell que nos treinou não somente técnicas de tiro, mas também como trabalhar com caráter e humildade  para atingir nossos objetivos e hoje estamos colhendo os resultados desse projeto bem elaborado e gerido..."

Fernando Chagas, membro da Seleção Brasileira Para-Olímpica de tiro com arco:
"Obrigado a todos pela força, e um agradecimento muito especial ao Christian Haensell que se despede com a certeza de que fez seu trabalho com dignidade e muita competência.
Obrigado pela família que formamos que nos fortalece cada vez mais nas a cada torneio.
O espírito de equipe já é visível entre nós, o que nos fortalece perante as outras delegações."

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Confederação Demite Técnico por E-mail

Hoje fui surpreendido pela notícia que, em meio ao Para-Campeonato de Ranqueamento Internacional em Stoke Mandeville no Reino Unido, um dos mais importantes campeonatos do mundo, a Confederação Brasileira de Tiro com Arco demitiu o técnico da seleção, Christian Haensell.

A notícia espanta pelo fato de ser completamente inexplicável do ponto de vista técnico. As atitudes do técnico Christian sempre foram pautadas pela ética e pelo trabalho. Desde o início de seu trabalho, nunca poupou esforços para se especializar na técnica do tiro com arco, prova disso são as suas duas viagens a Coréia (Coach Kim archery School) e uma para o Egito (FITA coach level 2), feitas às suas próprias expensas. Além disso, é uma pessoa extremamente cuidadosa com o trato dos recursos financeiros destinados para os atletas para-olímpicos, que com um orçamento muito menor que os atletas olímpicos conseguem realizar muito mais viagens para competições e treinamentos.

Desde que assumiu a equipe, não só o número de atletas para-olímpicos de tiro com arco no Brasil cresceu, como também cresceu a média de pontuação dos principais atletas da seleção brasileira. Em 2008, o campeonato Brasileiro Para-olímpico foi realizado na cidade de Brasília e reuniu cerca de quinze atletas, que se misturaram com outros atletas não portadores de necessidades especiais.

Campeonato Brasileiro Para-Olímpico de 2008
 
Em 2011 o mesmo campeonato, também realizado na cidade de Brasília, reuniu 32 atletas que preencheram as raias em um evento exclusivamente para-olímpico. 

No Campeonato Brasileiro Olímpico de 2009, realizado em Bento Gonçalves, as pontuações de 70 metros de Luciano Reinaldo, Adhemar Carlini e Ricardo Macedo, três atletas da seleção para-olímpica brasileira, foram respectivamente 212, 184 e 169 pontos. No Brasileiro de 2011 foram 296, 242 e 280, um aumento médio de 44%. O que para uma equipe de tiro com arco que disputará vaga para os Jogos Olímpicos no próximo mês é a diferença necessária para a obtenção da vaga.

A confirmação do bom trabalho pode ser provada pelos resultados que a equipe vem obtendo no presente Campeonato de Ranqueamento em Stoke Mandeville, em que ontem a equipe de recurvo ganhou da tradicional equipe da Ucrânia (3º colocada no Campeonato Mundial de 2009) e vai disputar o bronze. A equipe de composto derrotou a Ucrânia e a tradicionalíssima Itália e vai disputar a medalha de ouro com a Inglaterra. É digno de nota também que hoje o Francisco Dantas de Natal, vai disputar a final do torneio individual, tendo derrotado em suas preliminares atletas que se encontram muito bem colocados no ranking mundial.

Por tudo isso, é fácil perceber que vem sendo realizado um trabalho muito cuidadoso e de alto nível no para-arco brasileiro, com chances reais de medalhas para-olímpicas. A atitide da confederação, além de não ser polida por se utilizar de um canal como o e-mail, é muito estranha pois "mexe num time que está ganhando", no meio de um ciclo que culminará nos Jogos Para-Olímpicos de Londres em 2012.

Sei que isso não diminuirá a disposição do técnico Christian em continuar se especializando e ajudando o desenvolvimento do tiro com arco no Brasil, na sua escolinha de arco e flecha já passaram centenas de alunos, sem contar os inúmeros projetos feitos para portadores de necessidades especiais (inclusive cegos). A evolução do tiro com arco no Distrito Federal, que de inexistente passou a disputar os primeiros lugares no Brasil é resultado do trabalho de Christian. Para os atletas de Brasília, a notícia tem um lado positivo pois agora ele poderá dedicar mais tempo à equipe. 

Equipe de tiro com arco de Brasília, técnico Christian em baixo no centro.